O Que é a Amazônia

A vasta região ao norte do Brasil está situada na bacia amazônica, que abriga a maior floresta tropical úmida ainda existente no mundo. Esta imensa extensão de selvas é alimentada e drenada pelo grandioso rio Amazonas, que constitui o maior rio do mundo, se considerarmos apenas o rio principal, sem seus afluentes; ele comporta 34% de toda a água doce da terra e navios de grande calado sobem seu leito até Iquitos, no Perú, mais de 3.700 km de sua foz, no Oceano Atlântico.

A região amazônica ocupa uma área total de mais de 7,5 milhões de quilômetros quadrados, extendendo-se por territórios de nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Porém, cerca de 85% de sua área está situada em território brasileiro, onde ocupa mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, ou cerca de 61% da superfície do país. A população da amazônia brasileira representa menos de 10 por cento da população do Brasil. A Amazônia brasileira equivale a sete vezes a extensão da França e corresponde à superfície de trinta e dois países da Europa ocidental ou, 7% da superfície do globo.

A Floresta

A Amazônia abriga áreas com 3,54 milhões de km2 floresta contínua, a maior extensão do mundo. Todavia, paradoxalmente, seu solo é de baixa fertilidade: 78% são classificados como ácidos e de difícil aproveitamento agrícola. A biodiversidade também é a mais elevada em todo o mundo: se na América do Norte existem entre 4 a 25 espécies de árvores diferentes por hectare, esse número varia entre 40 e 300 na floresta amazônica, que no total abriga mais de 5.000 espécies de árvores.

O volume de precipitação na bacia do rio Amazonas é fenomenal: mais de 15 trilhões de metros cúbicos ao ano. Da precipitação total, 48% evapora, 52% escorre para os rios e, por fim, para o mar. O ecossistema da floresta tropical úmida altera significativamente essas médias: em seu ambiente apenas 25% da água evapora e 25% alimenta os rios, enquanto o restante é retido pela floresta.

A floresta amazônica pode ser considerada como uma espécie de "filtro ecológico" para o gás carbônico (CO2) presente na atmosfera, pois as plantas absorvem mais gás carbônico do que produzem. Infelizmente, a acelerada ocupação humana da Amazônia está provocando um conjunto de problemas ambientais, devido o grau de destruição do ecossistema original. Estima-se que aproximadamente 12,5% ou meio milhão de quilômetros quadrados têm sido destruídos ou queimados. As companhias madeireiras, os garimpeiros em busca de ouro e outros metais preciosos e as atividades agrícolas são os principais vilões. Apesar da diminuição das taxas de destruição, a devastação continua em um ritmo preocupante.
 
 

A Fauna

A floresta amazônica apresenta uma riqueza extraordinária de todas as formas animais, desde os insetos até os mamíferos. Um metro cúbico de solo amazônico contem um número 100 vezes maior do que no hemisfério norte. A enorme quantidade de água e as temperaturas amenas funcionam como um espécie de incubadora: existem mais de 3.000 espécies de peixes na Amazônia, o que representa 85% de todas as espécies de peixes da América do Sul e 15% das espécies do mundo. Mas apenas 40% dessas espécies foram estudas pelos cientistas e somente uns 36 peixes são comercializados.

A região apresenta muitos recordes extraordinários quanto à fauna. Ela abriga mais de 100 espécies de macacos (o menor deles do tamanho de uma caneta, enquanto o maior é comparável a um chimpanzé), milhares de aves, como por exemplo as multicoloridas araras e tucanos e dezenas de animais exóticos e interessantes como o boto cor de rosa e o peixe-boi, as capivaras que são os maiores roedores do mundo, as preguiças, os jacarés, a onça, tarturugas e as imensas sucuris, que podem alcançar cerca de 9 metros.

O Povo

A população da Amazônia brasileira é de apenas 17 milhões de habitantes, apesar das dimensões continentais dessa região. Conseqüentemente, a densidade populacional situa-se entre as mais baixas do mundo; em termos médios, apenas 3.4 habitantes por quilômetro quadrado. Existem regiões do tamanho da Bélgica ou a Espanha com densidades inferiores a 1 habitante por quilômetro quadrado. Aproximadamente 62% da população vive nas áreas urbanas: Manaus e Belém, que são as cidades principais, respondem juntas por mais de 90% da população urbana. A população rural vive em função das duas estações do ano: a estação das chuvas e cheias e a estação sem chuvas e de baixo nível das águas. Durante a estação chuvosa as principais atividades rurais são o extrativismo (borracha, frutas e castanha do Pará, etc.), a caça e a pesca. Durante a estação seca, prevalece a agricultura de subsistência.

A região amazônica foi colonizada e habitada há dezenas de milhares de anos pelos índios, que viviam isolados e tranquilos em pequenas aldeias tribais espalhadas pela imensa floresta. Mais de 160 grupos étnicos e línguas diferentes foram mapeadas, mas o número original dos índigenas diminuiu mais de 90% desde a descoberta da região pelos espanhóis e portugueses no século dezesseis. Hoje, existem cerca de 85.000 índios vivendo na Amazônia, a maioria em reservas índigenas. Sua cultura original data da Idade da Pedra, sem artefatos de metal ou habitação permanente, linguagem escrita ou civilização urbana. A Fundação Nacional do Indio (FUNAI) estima que ainda existem cerca de 30 tribos com as quais não se estabeleceu contacto.

Os transportes dependem quase que exclusivamente na vasta rede de rios navegáveis e portanto são muito lentos. O segundo meio de transporte mais importante é o transporte áereo. A frota de barcos e aviões da Amazônia é portanto uma das maiores do mundo. As estradas são raras e intransitáveis a maior parte do ano e sua construção torna-se uma tarefa quase impossível devido ao enorme número de rios que às vezes alcançam uma largura de mais de 20 km!
 

A Situação da Saúde

A floresta amazônica é um criadouro para todos os tipos de insetor vetores e reservatórios naturais de dezenas de doenças tropicais. O problema endêmico mais grave é a malária, que responde por mais de 500.000 novos casos por anos, e mais de 30.000 mortes. Em algumas cidades, como Porto Velho, 90% da população já foi acometida de malária pelo menos uma vez.

A incidência da dengue, da febre amarela, da tuberculoe e da leishamaniose está entre as mais elevadas do mundo. Infecções exóticas, como a ouropoche (uma espécie de dengue) e doenças de febre hemorrágica causadas por arborvirus causam mortalidade comparáveis ao virus Ebola na África. Combater os mosquitos e outros tipos de insetos hematófogos é uma tarefa impossível devido às dimensões da floresta e a baixa densidade populacional. O desequilíbrio ecológico provocado pelo desflorestamento e pela morte dos predadores naturais de insetos, como por exemplo as aves, aumentou o problema. As áreas desmatadas tem uma incidência de malária muito mais alta, por exemplo.

A população rural é muito pobre e apesar de residir em uma região com uma vida exuberante, os problemas de desnutrição são endêmicos, atingindo 72,7% da população; 70% das crianças sofrem de nanismo (baixa estatura e crescimento comprometido), 18% têm atrofia muscular e 37,5 apresentam anemia.

O acesso à prevenção dos serviços de saúde e tratamento médico para as populações rurais e indígenas é crítico, pois, devido à pobreza, elas dependem dos serviços de sáude pública. A Fundação Nacional da Saúde, em colaboração com várias organizações não-governamentais está implantando uma rede de instalações para serviços de saúde especializados para os índios, que fazem funcionar algumas delas.

Em contraste, os pesquisadores estimam que centenas de drogas úteis podem estar escondidas nas plantas e animais das florestas tropicais, com um valor total de mercado que pode exceder 147 bilhões de dólares. As florestas tropicais úmidas fornecem entre 25 e 40% de todos os produtos farmacêuticos. Calcula-se ainda que mais de 2.000 pantas talvez possuam propriedas anticancerígenas. Muitas delas já foram extintas. Somente 1% das plantas tropicais foram estudadas quanto às propriedades medicinais. Porém elas tem produzido um quarto de todas os medicamentos prescritos vendidos nos Estados Unidos.

Fonte: INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
 
 

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Elaborado por Renato M.E. Sabbatini, PhD e Silvia Helena Cardoso, PhD